domingo, 28 de junho de 2015

Lying to

O relógio se aproxima perigosamente das três da manhã, aquela hora em que a solidão ataca da forma mais cruel. Da minha janela, aberta para o vento frio, posso ver a caixa d'água e a lua. O player está tocando aquela canção triste, e ela nunca fez tanto sentido. Abri uma foto tua e fiquei encarando teus olhos na tela do computador.
Céus, Bukowski invejaria o fundo do poço em que me joguei. A garrafa de bebida barata aos pés da cama, a caneca de café vazia, o alimento mal tocado. Os extremos aos quais quero levar meu corpo pra esquecer o que tu sabe fazer com ele. Todos os homens que me desejaram depois de ti e o grito silencioso dos meus olhos pedindo que tu, pelo amor de alguma divindade, me impeça de mergulhar num caminho de onde sei que não voltarei.
Eles querem de mim o que só tu seria capaz de extrair. A entrega total. O acesso total. Tu não precisaste pedir por isso. Ainda me assusta a forma como tu soubeste ler o que ninguém mais sequer tentou entender.  Ainda me assusta que eu tenha puxado os lençóis para cobrir meu corpo quando tu deixaste minha essência nua.
Keaton Henson está certo. Estou mentindo para todos eles. E talvez eu esteja mentindo pra ti também. Quem sabe se não minto pra mim, inclusive. No fundo, eu sou uma solitária. Um desses homens íntegros, honestos e intensos me perguntou se eu acreditava que estaria sempre sozinha. Respondi que não. E não menti. Mas existe uma possibilidade muito grande de que eu acredite que estarei sozinha em todo momento em que desejar companhia. Como agora.
Eu fico aqui deitada, jogando com o destino e pedindo por um sinal que eu sei que não virá.



Well, you know. I’m all about that bass. And you, bass player, know how to pull my strings.