sexta-feira, 6 de abril de 2012

Tango


Danço eu e dança você
Quando me estende a tua mão
Quando me estreitas em um olhar

Danças tu e me chamas a bailar
Quando me esquivo
E destilo no riso a dor
De por tão pouco te adorar

Dançamos nós o tango das palavras
Num jogo de recuos e avanços

Pele
Cheiro
Força

Não mais recuo e me tens cativa.
Concedo-te a próxima dança.



terça-feira, 13 de março de 2012

Subversivo

Acima do verso,
subversão.
Sob o verso,
decifrei o que você
subentendia.
Nas entrelinhas eu li
o que você versava
subversão
O proibido que te encanta
nos versos que você canta
subversivamente.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ainda

Ainda respiro.
Entre cinzas e escombros
do que fomos um dia,

ainda respiro.
Inalo as memórias
da felicidade
que asfixiam como fumaça
do amor que ardeu em chamas
e se consumiu na indiferença.

Ainda respiro
porque ainda não lembro de esquecer.
Não sufoco às escondidas
porque me permito arder a céu aberto.

Ainda respiro.
Ainda inspiro saudade.
Ainda expiro poesia.
Ainda...

Transpiro você.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Amores artísticos

Quero amores que me façam respirar e transpirar arte. Quero amores que se retratem em pinturas, sintam em uma fotografia e se eternizem em uma poesia. Amores que me levem para passear sem sair do lugar, e que, ao caminharem ao meu lado, estejam presentes na mesma vibração.

Quero amores com nuances de desespero e com todos os tons de plenitude. Daqueles que não se esquecem e a alegria de tê-los vivido supera a tristeza do fim. Quero que cheguem calmos como a brisa e me transformem como um vendaval. Não quero amores que terminem amargos... Quero deixar um sorriso no teu rosto quando lembrares de mim e o gosto doce dos momentos incomparáveis.

Não espero que eu seja a primeira e a última, mas a única com quem você anseia estar naquele momento. Quero momentos, daqueles que valem toda uma vida. Quero a sensação de viajar o mundo quando segurar tua mão. Quero a sensação de viajar por todos os mundos em quinze minutos de conversa.

Quero amores de vertigem. Intensos do começo ao fim. Que sejam amores de uma estação, então. De uma primavera em Paris ou de um inverno em Amsterdã. Amores quentes como o verão tropical e reflexivos como o outono em Londres.

Quero amores alimentados de letras e café, música e pinturas. Quero ver imagens dignas de um Van Gogh, mas que eu não compartilharei com ninguém.

Quero amores de encanto de encanto e de deslumbramento. Inacreditáveis como um feitio e concretos como a madeira das árvores. Quero amores fluídos.

Quero o encanto das diferenças e a delícia de discordar. Quero a força de uma discussão encerrada num beijo. Quero a discussão que não repele, que cria.

Quero amores plurais. Amores muitos, amores múltiplos. Que sejam platônicos, não importa. Que podem ser concentrados num único olhar e num único abraço. Quero um, que seja muitos.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Vermelho irrestrito

A vida de apresenta rasa
e eu a desejo profunda.
Mergulhar em sentimento
E me abandonar

Pra te encontrar

O verde me envolve
E eu quero o vermelho
Da entrega total e
Do sentimento irrestrito.
O gosto forte do café
E o prazer de saborear a vida.

domingo, 13 de novembro de 2011

T(r)emor

O instante de uma respiração
A perturbação de um devaneio
Estremeço, suspiro.
A naturalidade me assusta
E eu temo mais a sensação
Que essa loucura me traz
Do que o desastre de sua realização.

Eu tenho medo de mim.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Fixação

Adoro esse teu lado moleque, tão escondido nesse ar de seriedade. O menino que sorri tão leve anuncia o paraíso terrestre em um abraço. A tua alma nua nessa meia lua que brinca em teu rosto.

Essa cor que é tão tua, essa tua cor que é tão minha. Esse olhar tão intenso que me estremece, perturba, entontece... Me perco no teu ritmo quando tu me espreitas por um segundo, ao longe.

Os fonemas do teu nome, a melodia da tua risada, o timbre da tua voz. Você, por completo. Me move como música e eu quero te dançar.