domingo, 27 de outubro de 2013

Sobre pássaros cantando à meia-noite e cabelos de fogo

presságios
da minha alma ou da tua
eu ouço um pássaro cantar à meia-noite
eu leio teu nome por acaso
eu sinto um arrepio
presságios
dos teus cabelos de fogo nos meus dedos
de me queimar no fogo do desconhecido
presságios
da pressa de você tomando conta
de ser presa pra tua caça 
presságios
de sol em aquário
amanhecendo em mim

e hoje quando o dia nasceu

o céu tinha a cor dos teus cabelos



11.06.2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

de espuma e trovão





fecho a porta e
apago a luz e
deixo os pensamentos ascenderem e
cada trovão é chuva que cai no meu chuveiro

água que corre
aqui dentro e lá fora
poesia que insiste
do meu corpo pra fora
do teu corpo pra dentro
do meu

água que corre
pensamentos que percorrem
são os raios que molham minha pele
são meus dentes que mordem
de ciúmes minha alma 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Captura da liberdade

um amor que capture
todas as nuances de sentimento

como uma folha que captura
todas as nuances do outono

uma liberdade que capture
todas as nuances de independência

uma tranquilidade que captura
todas as nuances de exaltação

uma personalidade que capture
todas as nuances de verdade

uma multiplicidade fragmentada
que permita ser por inteira



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Amada Farsa

Eu desci do teu carro com as pernas bambas e o gosto de último beijo nos lábios. Não que você tenha dito que era o último. Mas eu sempre fui uma ótima leitora e li nos teus olhos todas as entrelinhas do que você não disse. Desci apressada pra fugir de perto do mais bem sucedido fracasso amoroso.
Teu abraço forte, teus braços me dizendo que me queriam perto já não foram mais suficientes para me convencer que tua atuação comigo era real.
Isso já faz tanto tempo que nos perdemos entre mentiras e confissões. Naquelas coisas importantes que só eu sei e nas banalidades que eu jamais saberei. Já faz tanto tempo que eu não vejo mais você nos gestos alheios, nem te ouço nas músicas que me inspiravam.
Se já não te vejo num qualquer, ainda sinto teus lábios nas minhas têmporas. Ainda sinto o cheiro de fruta do teu cabelo e ouço tua risada insana que me devolveu a sanidade de sentir.
Querida farsa... Tua atuação foi comigo ou segues todos os dias encenando uma peça sem último ato? Até quando vais seguir camaleão, mudando a atuação como o sol muda a cor dos teus olhos?
Amada farsa. Teus olhos de cor incerta me davam a certeza de que perto de você eu não poderia nem deveria me sentir segura. Agora eu vejo que não tive sensibilidade suficiente pra te captar nos momentos em que você se revelou sem querer. Ou talvez eu tenha capturado pra mim tudo que vi em ti de tão bonito... E agora só sobrou o que eu não quis ver.
Se fecho os olhos, ainda vejo o menino que amei em ti.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Eu estava lá

Eu estava lá, beibe. Não tenho certeza se tu reparaste. Talvez tenha sido só um detalhe da paisagem que esqueceste de ver. Eu estava lá, enquanto tu buscavas o teu prazer. Eu olhei nos teus olhos enquanto tu fechavas os teus.
Sabe, depois de tanto tempo, eu estava lá. Depois de tanto tempo, éramos nós. Compreendo que talvez tu não tenhas tido tempo de reparar. Sob o teu, era outro corpo. Eram curvas e pele, eram aromas e gostos. Que, compreendo, tu não percebeste. Além do centro, era toda uma miríade de sensações que tu jamais terás novamente.
Eu realmente estava lá. E tu, onde estavas? Tão dentro de si que esqueceu de perceber que há outros jeitos menos objetivos de se estar dentro de alguém. Nós dois sabemos que a inspiração é externa, e é a poesia que vem de dentro. Para ti, jamais serei poesia porque quando bebeu dos meus lábios, tua sede era superficial.
Eu estava lá, tanto quanto estava quando tu disseste que aquela seria uma conversa de pele, porque nossas almas já conversavam de outras eras. Eu estava lá assistindo o teu monólogo. Porque não, não conversamos. Te ouvi falar freneticamente, olhei pra tua alma e tu... Não estavas lá. 


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Pedaços mais bonitos

Nesse bar inconstante
Rabiscos sentimentos insanos
Danço com a solidão
E vejo acentos estranhos

Nesse bar memorável
Rabisco pensamentos finitos
Beijo a amizade nos lábios
E vejo os pedaços mais bonitos

De mim.



Os primeiros quatro versos são da Giovana, poetisa do Surto Sinestésico.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Tardes de Maio

E quando eu cheguei
já era tarde

a beleza das tardes de maio
já era chegada

e em maio, já era tarde
em maio, já era partida

eu me pergunto se algum dia
amanhecerá para nós

me pergunto se algum dia
a manhã descerá sobre nós

sobre nus
de quem tenta ensinar a vida

que nunca é tarde
quando o meio é amor