quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

janela pra lua


hoje minha janela tem vista pra lua
hoje minha alma tem vista pra rua

só por hoje vou deixar
as pernas seguirem a lua
e a mente sair pra rua

hoje vou me inundar de rimas pobres
de cacofonia barata
de clichês e lugares comuns

só hoje eu vou desejar
que minha cama fosse nosso lugar em comum.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

feérica ferina

Era fada
soprando bolhas de sabão
por entre as árvores
com seus lábios em flor.

Era fada
feita de devaneios
olhando por entre as ramagens do pinheiro

era fada
com flores nos cabelos
era fada
com flores no sorriso
era flor
com alma de fada
ou era fada com alma de flor?

Era fada
de amores intensos
era fada
de amores fáceis

Mas era cortesã
de lábios vermelhos

Mas era feiticeira
de cabelos cacheados

Mas era bruxa
de sarcasmo feroz

Acabou que de tantas
Era só poetisa

Era só poesia.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Fastio existencialista

As palavras de Fitzgerald ainda ecoavam em sua cabeça e reverberavam em suas entranhas. “Transformando o amor em um acidente”. “Estou cinco anos além da idade em que poderia mentir pra mim mesmo e chamar isso de honra”. “Em direção ao passado.” As palavras submergiam na forma de lágrimas que ela teimava em segurar.

Se o fotógrafo de Palahniuk tentasse captar seu fastio existencialista distante em um flash, ele não seria capaz. O cansaço era como o gosto de cigarro na sua boca. Ninguém notaria, a não ser que lhe beijasse os lábios. Talvez uma brisa fosse capaz de movimentar as ondas do seu cabelo de forma a revelá-lo uma única vez aos sentidos de um observador atento.

Se fosse música, seria jazz. Ou um blues, com lágrimas e sangue em cada nota, mesmo nas alegres. Seria a intensidade da black music, em letra e melodia. Jazz que se perde em múltiplos braços e movimentos inúmeros, pra voltar a se encontrar na solidão.


Ela procura a solitude no meio da multidão. Na fila do restaurante, a moça de cachos ruivos e pentagrama no pescoço lhe desperta intenções pagãs. Na mesa ao lado, olhos curiosos se prendem ao seu livro. Os seus próprios olhos se perdem no nada.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Pour un infidèle

Furtivo
Fugaz
Entre mordidas, amor mordaz
Estendo minhas palmas e digo morda-as
Enquanto meus beijos se desfazem
Entre tuas espáduas

livre viajar entre teus lábios
livre desejar o ilícito 



domingo, 27 de outubro de 2013

Sobre pássaros cantando à meia-noite e cabelos de fogo

presságios
da minha alma ou da tua
eu ouço um pássaro cantar à meia-noite
eu leio teu nome por acaso
eu sinto um arrepio
presságios
dos teus cabelos de fogo nos meus dedos
de me queimar no fogo do desconhecido
presságios
da pressa de você tomando conta
de ser presa pra tua caça 
presságios
de sol em aquário
amanhecendo em mim

e hoje quando o dia nasceu

o céu tinha a cor dos teus cabelos



11.06.2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

de espuma e trovão





fecho a porta e
apago a luz e
deixo os pensamentos ascenderem e
cada trovão é chuva que cai no meu chuveiro

água que corre
aqui dentro e lá fora
poesia que insiste
do meu corpo pra fora
do teu corpo pra dentro
do meu

água que corre
pensamentos que percorrem
são os raios que molham minha pele
são meus dentes que mordem
de ciúmes minha alma 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Captura da liberdade

um amor que capture
todas as nuances de sentimento

como uma folha que captura
todas as nuances do outono

uma liberdade que capture
todas as nuances de independência

uma tranquilidade que captura
todas as nuances de exaltação

uma personalidade que capture
todas as nuances de verdade

uma multiplicidade fragmentada
que permita ser por inteira