quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ela

Ela se parte em duas
se prende à liberdade
de não desejar ser una

entre o novo e o velho
o perdido, o nunca encontrado

Ela se desmancha em poesia
se esconde na realidade
que criou para se mostrar

Ela busca a razão que desequilibre 
a emoção de sua pele
também dual, também indecisa

disfarçando vulcões no gelo da palavra

Ela se vaporiza em sonhos
concretiza uma personalidade que 
é dela e tão alheia

um caleidoscópio preto e branco
uma nuvem de fractais na forma
de ilusões que se diluem

de maiúsculo, só Ela

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Closer... just imagination

Eu vejo verde e dourado tão próximos
E o sol de amanhecer do outono
Tinge de proximidade um sorriso

Que ficou no ontem
Que já não me pertence
Que nunca foi tão meu
Como é na minha imaginação

A cultura que eu respiro
Não é suficiente quando
O cheiro do teu perfume me embriaga

Eu bebo café
Enquanto ela bebe dos teus beijos
Que não saciarão minha sede.

Não nostalgia, tampouco amor.
Lembranças de algo que 
Só se imaginou

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Incerto

Eu me encolho, 
enrodilho preguiçosamente
Ocupando todo o espaço possível
Com folhas secas e ventos de outono
Enquanto a vida segue 
O tempo passa lá fora, e algo aqui dentro ainda esta parado.
estático
imóvel
imutável
Logo o azul royal do céu dará lugar ao sol que brilha insensível.
A sensibilidade extrema daquilo que não tem razão
dói, assusta.
Um sorriso que, mais que meu, 
fosse para mim
para preencher, dar sentido.

É preciso.
Algo.
Logo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Calar

Meus lábios se fecham, emudecem. A necessidade de falar some quando digo tudo pelo olhar. Me calo diante de tragédias, me calo diante de injustiça, às vezes me calo diante da vida. Mas eu sinto as tragédias, e lamento mais que se insistisse em pronunciar palavras que apenas serviriam pra tentar parecer que sou humana. Eu tento corrigir as injustiças, por insuficiente que seja a minha atitude. E a vida? Essa eu me contento em viver, da forma que acho certa.
Mas, no final, o que me faz calar e me fala ao coração enquanto meus olhos exprimem uma emoção a cada segundo, é o teu sorriso e as tuas ideias.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Desejo de Perspectiva




A flor monocromática saúda singela
O festival policromático que a luz lança no céu
A perspectiva de onde vejo
Me permite apenas presenciar, e me traz
O desejo de iluminar
Então sigo, peregrina, até os tesouros
No fim desse arco-íris.
Mas o tesouro é a cor, é a luz, a forma,
O saber, é o sentir
o calor que o teu corpo emana. 
E a magia
A Magia é a Vida.

domingo, 27 de março de 2011

Poetizando.



Campos dourados, raios solares, flores de âmbar. 
Campos de âmbar, raios dourados, flores solares. 
Campos solares, raios de âmbar, flores douradas. 
O trigo. A flor. O sol.
Amanhece.



Os campos da foto não chegam aos pés da beleza singela dos que inspiraram a poesia. 

segunda-feira, 21 de março de 2011

Classificados Pt. One

Eu não sou assim tão complicada. Na verdade, sou simples até demais.

O barulho da chuva me encanta. Seu cheiro também. Senti-la. Adoro vento. Adoro dias cinzas, mas posso passar horas admirando o azul do céu sem nuvens no verão. Não, eu não vou ser clichê e dizer que funciono melhor a noite. Porque eu amo as manhãs, e enlouqueço com um belo entardecer. Principalmente na praia.
Aqui sim serei clichê: amo o mar. Amo profundamente. Com toda a sinceridade e devoção que só um amor não vivenciado possui.

 Eu gosto de branco. Eu gosto de vermelho. De romã e de rosas brancas. Eu não sei dançar, mas se você me convidar prometo me esforçar. Faço promessas facilmente, e geralmente as cumpro. Não sei guardar os meus segredos, mas protegerei os teus com a minha vida.

Sou passional, e bem volátil, com um humor que oscila facilmente. Mas me torno a criatura mais doce se me acenares com a possibilidade de um afago. E não sou difícil de lidar. Use calma, educação e argumentos. Me convença, não me force.

Eu vou ouvir Elis Regina em um segundo e no outro ouvirei Kiss. Não ouça comigo, se entre os extremos houver algo que não te agrade, mas não me peça que mude e não deprecie o que eu amo. Eu vou chorar, e vou cantar. Talvez faça isso enquanto escrevo. E se fizer isso te olhando nos olhos, me abraça.

Sou extremamente frágil e carente, toda sentimento. Mas sou também forte, independente e completamente racional. Eu me entrego a tudo aquilo que faço. Ocupo meu tempo com amor, e não amenidades.
Eu amo o Direito, e defendo sua essência com unhas e dentes.

Jamais farei algo apenas porque alguém que não seja eu quer. Como uma barra inteira de chocolate e adoro pimenta. Quase nunca concordo com ninguém, mas nunca julgo. Não me precipito, e às vezes eu perco por isso. Eu sonho, com um mundo melhor e principalmente com o dia em que serei alguém melhor.

Se eu me der ao trabalho de argumentar e te explicar algo, se considere com sorte. 
Acostume-se, eu não vou correr atrás. Vou te dar o espaço pra que venha até mim, sem que isso mexa com o teu orgulho. E faria isso quase como quem enfeitiça.

Não vou viver nada pela metade, porque meus sentimentos são inteiros. Se eu disser que te amo, é porque te respeito, te aceito como é, desejo que sejas feliz, faria tudo pra te ajudar e gosto da tua companhia. Não significa obrigatoriamente que a nossa relação será de homem-mulher. Sou capaz de amar além do que se considera certo, mas pra mim é completamente natural. São casos raros, quase únicos, são pessoas por quem eu não mediria esforços pra ver feliz e que me elevam a outro plano. Não tente ser uma delas... Mereça. 

Sou filha de Iansã e amo chimarrão. Não minto, não sou cruel. E isso não quer dizer que não saiba mentir ou ser cruel. Mas, caminho em direção ao amor, pela estrada do amor, e ajo pelo amor.  
Para estar serena, não preciso de nada mais que desejar isso. E, às vezes, uma companhia sintonizada.
Eu gosto de estar de pijama e sei andar de salto. Adoro viajar, mais pela estrada que pelo destino. Sou ainda cigana, mas sou hoje um caleidoscópio das várias que já fui.

Creio em Deus, amo a Deus, reverencio a Deus. Tudo à minha maneira. Mas respeito a sua maneira de fazer isso e gostaria que respeitasse a minha. 

Tenho uma visão idealista de tudo, e não há nada que você faça que vá destruí-la. Me iludo. Não me apego a pessoas, mas ao sentimento que crio por elas em minha ilusão. De real? Minhas meias de elefante, o calor de uma xícara de chocolate e das mãos de alguns amigos. 

Falo muito, e digo ainda mais. Mas adoro ouvir. 
Tenho medo de aranhas, e só. Mas não desejo me ver longe de quem eu amo... Quanto maior o amor, menor o desejo da distância. 

Me enterneço com facilidade. Crianças, filhotes, sonhos. 

Peço desculpas se me alonguei... Mas, essa foi a forma que encontrei de traduzir a minha interpretaçãode Clarice Lispector na frase que resume tudo isso: "Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de quando e como você me vê passar."
Ou a de Florbela Espanca: "O meu mundo não é como o dos outros,

Quero demais, exijo demais,

Há em mim uma sede de infinito,
Uma angústia constante que nem eu mesma compreendo,
Pois estou longe de ser uma pessimista;
Sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada.
Uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade... Sei lá de quê!"


Eu sou a antologia de todos os poemas, de todos os poetas. Eu sou o verso ainda não escrito.





Fotos by: Lotus Phōtō