segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Entenda... Se você quiser.

Vem a onda e muda tudo. 
Vem o vento e arrasta o velho.
E eu me pergunto até quando a rotina vai me esconder. 
Até quando eu vou esperar um olhar com cheiro de paixão que me diga o que quero sentir?
Compreenda, se puder. Foi o inesperado do teu olhar, o mistério que te faz. Não tenho realmente esperança, mas quando te vejo sorrir quero mergulhar. 
Quero acreditar que quando eu menos esperar vai ser de novo a tua voz me convidando pro novo. 

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Something, for nobody

Tudo bem. Somos dois estranhos e o pouco que você achava que sabia sobre mim já se desfez. Já não mereço teu carinho e a esperança do aconchego de outrora beira a insensatez. Pelo tempo que habitei no âmago da tua alma e fiz da tua calma um inferno, soube quem eu era e para onde ia. As horas se arrastam e eu entorpeço as  palavras com o veneno do meu sentimento. Esse vazio transborda de cada sílaba e inunda com uma lágrima o olhar que já brilhou por mim. Nostalgia, meu bem. Não mais amor, eu sei. O vulto do que fomos cerra um véu intransponível entre as palavras gélidas que trocamos. Tudo que uso pra tentar me aproximar te afasta com a condenação no olhar. E eu desisto. Vou te deixar mesmo ir, porque... Me odiar talvez seja mais fácil que essa dor do não sentir.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Letargia

Frio. Vazio.
O teu riso me escarnece
O meu? Gris.
O toque da tua pele me estremece.
E o vento no meu rosto como única companhia.
Só quero ficar assim. Não me mover.
Até passar um mês.
Até tornar a você.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Queria ser uma personagem.

É, é isso. Eu queria ser uma personagem. Viver entre as páginas de um livro. Heroína ou vilã? Tanto faz. 
Sei que minhas características se encaixam melhor em um livro do que na realidade. 
Queria que você abrisse as páginas de um Tolkien ou Lewis, Shakespeare ou Alencar, e me encontrasse lá. A te esperar. A viver mil e uma aventuras. A viver. 
Aventura ou romance? Fantasia? Seria fantástico, seria magia. 
Queria me sentir abraçada quando me carregares nos braços de um lugar à outro. Enlaçar tuas mãos ao segurar entre elas minha história. 
Arwen ou Aurélia, Feiticeira Branca. Queria ser tua companhia, teu refúgio. 
Olhar nos teus olhos das páginas impressas, neles mergulhar e te contagiar. 
Despertar paixões, amores, ódios, desprezo. Emoções. 
Queria ter nascido para ser lida e interpretada, e não vista e julgada. 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Untitled

Eu sinto sua falta. Você continua aí, no mesmo lugar. Lugar que não é mais meu, abraço que não me pertence mais. Mas, no fim do dia, é só pra onde eu quero correr. 
Eu sinto falta do seu cotidiano banal, da correria da tua vida. Da segurança de te saber meu, e me saber parte dos teus gestos. Me perco nas tarefas do meu dia, tão mais difícil hoje. E impossível no entardecer, quando sei que não posso antecipar o paraíso no teu sorriso. 
Lá no fundo do meu peito, onde eu guardava meu carinho pra te dar, hoje é o esconderijo do brilho dos teus olhos, e daquele ultimo beijo. Tão doce, tão triste. Tão meu. Nunca quis acreditar quando algo me dizia aqui dentro que seria o último. Eu só poderia estar errada... A eternidade era pouco pra ficar com você. 
Eu tento dar um sentido pra minha vida. Eu tento fazer sentido. Mas, olha só, que ironia. Eu sinto sua falta. E você, continua aí, no mesmo lugar. 
Do you remember? I don't forget, baby.

sábado, 21 de maio de 2011

Saga - Filipe Catto

Ando em uma fase com a criatividade em baixa. Então, vou compartilhar com vocês algo que não é de minha autoria. É MUITO mais genial. Com vocês, Filipe Catto - Saga. 


Saga Filipe Catto
Andei depressa para não rever meus passos
Por uma noite tão fugaz que eu nem senti
Tão lancinante, que ao olhar pra trás agora
Só me restam devaneios do que um dia eu vivi

Se eu soubesse que o amor é coisa aguda
Que tão brutal percorre início, meio e fim
Destrincha a alma, corta fundo na espinha
Inebria a garganta, fere a quem quiser ferir

Enquanto andava, maldizendo a poesia
Eu contei a história minha pr´uma noite que rompeu
Virou do avesso, e ao chegar a luz do dia
Tropecei em mais um verso sobre o que o tempo esqueceu

E nessa Saga venho com pedras e brasa
Venho com força, mas sem nunca me esquecer
Que era fácil se perder por entre sonhos
E deixar o coração sangrando até enlouquecer

E era de gozo, uma mentira, uma bobagem
Senti meu peito, atingido, se inflamar
E fui gostando do sabor daquela coisa
Viciando em cada verso que o amor veio trovar

Mas, de repente, uma farpa meio intrusa
Veio cegar minha emoção de suspirar
Se eu soubesse que o amor é coisa assim
Não pegava, não bebia, não deixava embebedar

E agora andando, encharcado de estrelas
Eu cantei a noite inteira pro meu peito sossegar
Me fiz tão forte quanto o escuro do infinito
E tão frágil quanto o brilho da manhã que eu vi chegar

E nessa Saga venho com pedras e brasa
Venho sorrindo, mas sem nunca me esquecer
Que era fácil se perder por entre sonhos
E deixar o coração sangrando até enlouquecer


Um pedaço da minha alma. Aproveitem. 

domingo, 8 de maio de 2011

A Cor Púrpura - Alice Walker (Fragmento)

"Aqui tá a coisa, a Docí falou. A coisa queu acredito. Deus tá dentro de você e dentro de todo mundo. Você vem pro mundo junto com Deus. Mas só quem procura essa coisa la dentro é que encontra. E as vezez ela se manifesta mesmo se você num tá procurando, ou num sabe que tá procurando. Os problema fazem isso pra maioria das pessoa, eu acho. A tristeza, nossa! A gente sentir que é uma merda.
Uma coisa? eu perguntei.
É. Uma coisa. Deus num é homem nem mulher, mas uma coisa.
Mas como? eu perguntei.
Num é como nada, ela falou. Num é um show de cinema. Num é uma coisa que você pode ver separado de tudo o mais, incluindo você. Eu acredito que Deus é tudo, a Docí falou. Tudo que é ou já foi ou será. E quando você consegue sentir isso, e ficar feliz porque tá sentindo isso, então você encontrou ele.
(...)
Escuta, Deus ama tudo que você ama - e uma porção de coisa que você num ama. Mas mais que tudo o mais, Deus ama a admiração.
Você tá dizendo que Deus é vaidoso? eu perguntei.
Não, ela falou. Num é vaidoso, só quer repartir uma coisa boa. Eu acho que Deus deve ficar fora de si se você passa pela cor púrpura num campo qualquer e nem repara."


Fragmento extraído fielmente do livro "A Cor Púrpura", de Alice Walker.