sábado, 24 de novembro de 2012

Atmosfera


Nosso beijo choveu nos lábios
como chuva de verão
leve
como brisa

Iansã em mim,
anseio por ser tempestade em ti
anseio por um beijo que seja vendaval
com ventos que misturem
os sentimentos
com águas que lavem
a alma

E depois da tempestade, meu bem
sempre vem a calmaria
da minha respiração no teu pescoço
do teu peito junto ao meu

essa calmaria de ventar nos teus braços.




terça-feira, 30 de outubro de 2012

Câmara escura: fotografia da alma


Desligo o termostato e apago as luzes. Ali vou despir meu corpo e nessas palavras vou despir a alma.
Pra me fazer nua mais uma vez.
Pra me fazer tua mais uma vez.
Deixo o luar banhar minhas costas, e a água fria escorrer pela nuca. Porque é quando fecho meus olhos para o mundo e me deixo guiar pelo que sinto na ponta dos dedos e no fundo da alma que me faço completa. Porque é quando sinto a respiração ofegar, quando sinto minhas mãos tremendo sinto cada partícula do meu corpo se transformar em energia.
E então sinto que te toco. No arrepio da pele sinto teus dedos e no fundo só sinto a tua falta.
 Fecho os olhos e quando respiro, eu por fim me inspiro.
Por mim, me inspiro.
 Por fim, respiro.
 Rodopio e sublimo: o luar me presenteia e se faz palpável. Percebo o regalo e estremeço com a dádiva. Tenho a companhia da lua que se materializa para mim. Dois raios de luz se encontram e nessa intensidade eu quase sinto entre meus dedos. Eu lembro quando os nossos sentimentos se encontravam sem querer e quase podíamos tocá-los. Será que é um presente teu ou da lua para que eu volte a sentir?
Atravesso a parede pra saber se do outro lado é tão intenso. Como sempre quis fazer e atravessar teu peito.
As palavras te evocam sem querer e eu sinto teu nome reverberar em mim.
O tecido na minha pele é muito mais intenso e meus olhos se fecham. Como se fecham quando eu lembro o significado por trás de tuas palavras.
Meu coração continua disparado, como sempre desde que eu tento aprisionar a poesia nas palavras. Aprisioná-la com dedos suaves para que venhas e a liberte. Para que ofereças a ela a liberdade de viver também no teu sentimento.
Vem e leva. É também tua. 


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Retalhos (I)




Uma solidão que me entra pelos poros, marulha meu estômago e torna meus olhos em cachoeiras. (12/08/2011)

Quedaron  trás de mi casi dos años, y dos mil millones de anhelos de usted. (12/06/2012)

A vida são as folhas secas crepitando sob os pés na suave noite de outono. É a brisa ao virar uma esquina. A vida é o gato branco deitado nos trilhos do trem, que se retira sorrateiramente quando viramos as costas, seduzidos pela vida que também é a folha de jornal levada pelo vento. (15/06/2012)

Se algum dia tivesse sido tua, poderia dizer que hoje já não sou. Mas, não tendo sido, serei eternamente. (11/07/2012)

Chega de procurar quem me faça viver num mundo de fantasia e me arranque suspiros. Quero aquele que me desperte pra poesia do mundo real e conquiste meus gemidos. (09/10/2012)


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Marte em agosto


Marte em agosto
Partes em agosto
Me fazes
em desgosto

Sonhos de crepúsculos lilases
De finais feitos em recomeço
Ciclos, pressupostos
O indecifrável no teu rosto
E o teu rosto na lembrança

Ilusões todas feitas como
Marte em agosto
E eu não vou admitir
O quanto eu gosto.  


sábado, 18 de agosto de 2012

Desencontrar


Enquanto teus olhos me procuram furtivos,
Eu me desencontro do meu sorriso
Procuro não pensar em ti
Mas meus olhos teimam em te reconhecer
Em cada sopro de dentes-de-leão
Eu insisto em te lembrar
Em cada vago perfume que pareça o teu

Preciso perder dentro de mim
Esse recanto onde te guardei
Preciso desencontrar tua memória
Pra encontrar paz.

Façamos um acordo, meu bem.
Tu me contas as coisas que te lembram de mim
E eu confesso as poucas que não me deixam lembrar de ti. 


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Wonderland... Wonderwall


ou Outra Carta Que Eu Não Enviei


Me peguei pensando em você e sentindo uma dorzinha incômoda quando li um trecho daquela música que foi nossa sendo só, só minha. Acho que é porque sonhei com você. Sonhei que você me mandava uma daquelas tuas mensagens loucas e dramáticas no meio da madrugada, simplesmente sem motivo e depois de todo esse tempo. Dizendo que me amava e que um dia ainda nos pertenceríamos. Seríamos um do outro.
Sonhei com você, Chapeleiro Maluco. Com cogumelos do tamanho de assentos. É, essa foi inesquecível. Com sorvetes de Mario Bros.  Sonhei com mãos dadas enquanto dirigia e com carros antigos. Sonhei com você assim, meio Jack Kerouac. Jack Kerouac ouvindo Oasis, segurando em silêncio minha mão enquanto pensava em outra pessoa. O meu favorito de todos os canalhas. E espero que você tenha perdido o hábito de me ler e dizer que sou sempre muito óbvia, porque dessa vez é mesmo muito óbvio.
Eu ainda não desci de cima do muro e aqui é muito confortável. A vista é linda. Juro. A vista é muito linda. E você deveria experimentar. Esse texto nem é uma declaração de amor apaixonada e arrependida, mas é uma declaração de saudade da nossa amizade gauche, dos teus velhos de cartola e dos cachorros na pracinha. Eu nunca fui apaixonada por você, bem o sabes. Sabes também que nossa amizade dá saudade não só no verão. Mas esse texto é um lamento, por tudo que ficou pra trás, por todos os “se”, por todos os “talvez”, e por ter sonhado com você. 

“There are many things that I would like to say to you
But I don't know how”


terça-feira, 31 de julho de 2012

Telúrico e Feérico



A poesia nasce com a manhã
nasce com o cheiro da chuva
e às vezes nasce telúrica
brotando vivaz por entre a terra

Ou pode nascer do calor do sol
que incita ao  movimento
às vezes é nuvem 
e se insinua sutilmente

é também luz que se revela
entre os galhos da faia

como fada que voa e já foi

Mas sempre vive
me vive
me domina
preenche
me respira.

E o sopro da vida eu observo na pele
Enquanto te sinto respirar.