quarta-feira, 31 de julho de 2013

Pedaços mais bonitos

Nesse bar inconstante
Rabiscos sentimentos insanos
Danço com a solidão
E vejo acentos estranhos

Nesse bar memorável
Rabisco pensamentos finitos
Beijo a amizade nos lábios
E vejo os pedaços mais bonitos

De mim.



Os primeiros quatro versos são da Giovana, poetisa do Surto Sinestésico.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Tardes de Maio

E quando eu cheguei
já era tarde

a beleza das tardes de maio
já era chegada

e em maio, já era tarde
em maio, já era partida

eu me pergunto se algum dia
amanhecerá para nós

me pergunto se algum dia
a manhã descerá sobre nós

sobre nus
de quem tenta ensinar a vida

que nunca é tarde
quando o meio é amor




segunda-feira, 3 de junho de 2013

Tristeza hipotética fundamental

há para os poetas
uma certa melancolia
uma certa reflexividade
uma certa calma aparente
uma tempestuosidade incerta

uma dor permanente
um amor dissidente
uma desilusão contundente

não se sabe como, nem porque
mesmo as poesias alegres
são tristes
mesmo que de uma tristeza passada

poesia
sem lágrimas e sangue
é hipocrisia

no topo da ordem do poeta
há a tristeza, talvez passada
sempre pesada

a desordem do ordenamento poético
depende
da tristeza hipotética fundamental


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Voz do vento nessa cidade

As noites dessa cidade
ainda me remetem
à você
ao que nos retem

As vozes daquela cidade
ainda me afogam
em você
no que nos mantem em voga

Os ventos de todas as cidades
ainda me incendeiam
por você
por todas as rimas em fogo
consumidas


terça-feira, 21 de maio de 2013

celeste pintura

Uma mão descuidada
derramou o tinteiro
entre as nuvens do céu

Uma mão descuidada
derramou o tinteiro
entre os caminhos da gente

Uma mão descuidada
um tinteiro derramado
uma obra de arte
um sentimento que parte

Poesia,
até que eu me farte

Poesia,
enquanto você me falte

segunda-feira, 22 de abril de 2013

eu mais que a mim


Tem  coisas mais importantes que o meu orgulho.
Tem momentos mais intensos que vingança.
Tem coisas mais urgentes que a minha vaidade.
Tem amores que não podem perder a esperança.

E eu prefiro me despir da altivez
Do que vestir o negro do arrependimento. 



sábado, 13 de abril de 2013

uni-versum


finitos nós
o que nos amarra
pro infinito
também é finito

é uma questão de
amar durar mais do que
duras as amarras