terça-feira, 30 de outubro de 2012

Câmara escura: fotografia da alma


Desligo o termostato e apago as luzes. Ali vou despir meu corpo e nessas palavras vou despir a alma.
Pra me fazer nua mais uma vez.
Pra me fazer tua mais uma vez.
Deixo o luar banhar minhas costas, e a água fria escorrer pela nuca. Porque é quando fecho meus olhos para o mundo e me deixo guiar pelo que sinto na ponta dos dedos e no fundo da alma que me faço completa. Porque é quando sinto a respiração ofegar, quando sinto minhas mãos tremendo sinto cada partícula do meu corpo se transformar em energia.
E então sinto que te toco. No arrepio da pele sinto teus dedos e no fundo só sinto a tua falta.
 Fecho os olhos e quando respiro, eu por fim me inspiro.
Por mim, me inspiro.
 Por fim, respiro.
 Rodopio e sublimo: o luar me presenteia e se faz palpável. Percebo o regalo e estremeço com a dádiva. Tenho a companhia da lua que se materializa para mim. Dois raios de luz se encontram e nessa intensidade eu quase sinto entre meus dedos. Eu lembro quando os nossos sentimentos se encontravam sem querer e quase podíamos tocá-los. Será que é um presente teu ou da lua para que eu volte a sentir?
Atravesso a parede pra saber se do outro lado é tão intenso. Como sempre quis fazer e atravessar teu peito.
As palavras te evocam sem querer e eu sinto teu nome reverberar em mim.
O tecido na minha pele é muito mais intenso e meus olhos se fecham. Como se fecham quando eu lembro o significado por trás de tuas palavras.
Meu coração continua disparado, como sempre desde que eu tento aprisionar a poesia nas palavras. Aprisioná-la com dedos suaves para que venhas e a liberte. Para que ofereças a ela a liberdade de viver também no teu sentimento.
Vem e leva. É também tua. 


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