domingo, 17 de junho de 2012

Chiaroscuro


“Nunca consegui amá-las no claro-obscuro dos encontros e das distâncias”
Luis Alberto Warat



Eu não sei o que fui para ti, se o fui. Quem sabe eu ainda seja. Tu ainda és, não só para mim, mas em mim. Quem dera a luz se fizesse então escuridão para que a falta de teus olhos nos meus me trouxesse paz.
Fecho os olhos e vejo claro dentro da escuridão esse cruel jogo de antíteses que representas. Essa significação loucamente confusa e divinamente sensata que só tu conseguiste assumir na minha vida. Para depois sumir.
E eu, paradoxo humano que sou desde tenra idade, busquei na tua figura de poder a ressurreição de um natimorto simulacro de orientação, repressão, alento e recompensa. Busquei, para poder então aniquilar qualquer influência, estando já sob influência. Quis a liberdade nos grilhões do teu abraço.
Hoje vejo a crueldade e a constatei subjugação com que me releguei ao segundo plano. Mas não há remorsos. Je non regrette rien.
Tu, em cada ida e vinda, em cada segundo de força e fragilidade, caráter e desonra, a cada vez que me afaga para então afastar. Tu, criatura do chiaroscuro que me levou ao outro lado da lua.
Talvez seja a ti que aprendi a amar, mesmo sem desejar amar, mesmo sem o realizar. Ou talvez sejam só jogos de luzes que não me deixam ver o que tu já não és, nem chegou a ser.

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